Por Vick Spitteler
Houve um tempo em que existia meia duzia de grandes marcas no Second Life que criavam suas roupas a partir de texturas 100% originais desenhadas no photoshop. Naquela época, a cerca de 5 anos atrás, a única coisa que se fazia era texturizar as roupas default e prims comuns.
Esses designers tiveram a oportunidade de ter praticamente um “monopólio” em suas mãos e faturar muitos lindens. Contudo as coisas mudaram, mais gente entrou no grid, novas ferramentas se tornaram disponíveis, como os sculpt prims e surpresa! Nem todos os designers que texturizavam tão bem no photoshop tinham a mesma habilidade com os programas de criação 3D para criar sculpt prims. Com isso se desenvolveu um novo nicho, fruto das necessidades desses designers: os construtores de sculpt prims full perm, que criaram e passaram a oferecer centenas e milhares de modelos de barras, mangas, golas, sapatos, bolsas, cabelos – todas essas ferramentas para ajudar ao designer em suas criações. E os fashionistas amaram! Todo o Second Life passou a se vestir melhor. O designer de roupas passou a comprar o direito de utilizar estes prims em suas criações. E cada dia mais o Second Life ia crescendo, os residentes amadurecendo e a concorrência aumentando.
Então começaram a surgir os templates de roupas e skins. O designer pagaria pelo direito de usar os arquivos em PSD (originais) em suas criações: com a manipulação desses arquivos e criatividade, muita gente passou a ter acesso e utilizá-los como ferramenta de criação. E então eles se multiplicaram. Muitos designers que antes somente ofereciam roupas prontas passaram a explorar esse mercado e oferecer templates para criadores de roupas e skins. E assim que os meshs foram liberados no grid peças de roupas inteiras em mesh full perm também pipocaram no marketplace, sendo oferecidas apenas para que o comprador aplicasse a sua textura.
Mas como gente sem-noção é o que não falta no mundo e especialmente no Second Life, já era de se esperar o que vem acontecendo: pessoas de mente limitada estão agora criando campanhas para desqualificar aqueles que utilizam templates, como se fosse algo imoral ou vergonhoso.
Que importância tem para o consumidor final se o designer desenhou ou comprou o direito de utilizar o material? O que o consumidor no Second Life quer é comprar um produto bom com um preço justo. Capitalismo, puro e simples, tal como na vida. O sucesso de uma marca no Second Life não depende mais somente da qualidade dos seus produtos. Tal como na vida, é preciso uma boa gestão e estratégia, é preciso postura e profissionalismo. Os templates são ferramentas que bem utilizadas ajudam muito aos bons e criativos designers. Eu li no fórum do Second Life algo genial dito por uma pessoa numa dessas discussões sobre quem era contra e a favor de templates: para se fazer um bolo, não é preciso botar o ovo (ufa… que bom). Eu traço um paralelo com uma experiência profissional que tive, uma vez que já trabalhei com desenvolvimento de cosméticos. O que faz a indústria cosmética (ou qualquer outra indústria)? Compra matéria-prima e transforma em produto acabado. Para formular uma loção de morango com champagne, eu testava centenas de matérias-primas, formulava exaustivamente até conseguir o resultado desejado. Eu não precisava produzir o extrato de morango a partir de morangos frescos. Eu comprava o extrato de um bom fornecedor, assim como todas as outras matérias-primas. É assim que as coisas funcionam na vida, e por que não haveria de ser no Second Life?
Já me questionaram se eu sou a favor ou contra o uso de templates e a minha resposta foi simples: nenhum problema, desde que tenham procedência, desde que não sejam roubados e não infrinjam qualquer lei ou direito de uso de imagem. Para mim, isso é assunto encerrado. E você, vai bancar o babaca e aderir à “campanha”?























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